quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Exclamações, nada mais...

Não escrevo; já faz uns meses!
Com ou sem vontade, cada vez sinto menos necessidade... Deixei-me de toda aquela loucura (não por que o queira ou deseje mas sim, porque acho que cresci). Cresci em vários aspectos: roupa, altura, matérias, mas principalmente, cresci mentalmente. Deixei de deixar de ser eu próprio. Já nao quero estar na integra dos outros. Mas com isso vieram outras coisas: preocupo-me demasiado com o que os terceiros pensam: "Eles não me podem ver!"; "Esconde-me".
Apetece-me mandar estes pensamentos à merda! Realmente estou farto! Eu não quero ser assim! Quero ser um bocado mais livre e menos cauteloso... às vezes penso naquele conceito (agora tão usado: "you only live once"); tenho uma vida pela frente e estou-me a preocupar com o que a pessoa 'x' e 'y' irão dizer de mim... Já sei que nada de bem dizem, afinal é o que esta sociedade é: má lingua.
Por estas e mais razões, quero crescer, mais, muito mais! Quero sair daqui! Quero amigos que ainda sejam envergonhados o suficientes para não me dizerem algo desnecessário para me fazer sentir mal! Eu tento-me afastar, mas não consigo. Vou com a maré mas, não devia!

segunda-feira, 25 de junho de 2012

O nosso silêncio

Estou em casa da Sofia. Deito-me na carpete do seu quarto apenas iluminado por um candeeiro vermelho que emite assim uma luz, que me faz recordar um daqueles laboratórios de fotografia. Estou estendido. Encosto a minha cabeça ao armário de madeira antigo que existe no canto do quarto dela (que tem como seu conteúdo roupas e um urso de peluche que pelo posicionamento das suas sobrancelhas me parece assustador) ficando assim numa sensação de paz interior. Estou habituado a viver numa vivenda onde, todos os barulhos me assustam mas ali, naquele prédio, o barulho é mais que comum. Aprecio-o de tal forma que entro em sintonia com todos os balbucios encantados que existem naquela casa. Ouço um pequeno zumbido dos carros e o seu temeroso eco; é ai que me assusto. Absorvi todos os monótonos sons para criar aquela paz de que todos precisam mas, nem todos têm...

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Ciclo dos nosso cigarros

Encosto o filtro do cigarro a meus lábios carnudos com feridas, de andar constantemente a esgravatar para sentir o sabor do sangue (um gosto a cobre, viciante). Pego no isqueiro azul escuro que comprei naquela antiga tasca ilegal, penso eu. Rodo a pedra para fazer faísca seguindo-se do "botão" para a abertura do gás, criando assim a chama que chego à ponta do meu estimado cigarro, com tabaco a sair por fora, começando a queimar esse resto de tabaco caído chegando segundos depois ao papel que sempre que puxo pelo branco filtro faz um som que me recorda de algo efervescente a efervescer.
Tenho tendência para fumar quando chove; arrisco-me a que caia uma gota de água vinda das nuvens cinzentas e carregadas.
Chego ao fim do cigarro já nas letras a dizer "Pall Mall" que é o mais barato tabaco aqui, na minha terra (sou um pouco forreta). Como chove deixo a cinza apagar-se no chão para ouvir o tal som.

                                                                                                   (recomeço o processo)

Balbuciar dos vivos


Tão cruéis que nós somos; sempre a balbuciar no discreto e sentir o peso na alma de cada vacilar segredado ao ouvido do nosso distante amigo. Talvez pelo nosso próprio propósito falámos tão alto, para se reprimirem a ouvir o nosso tão elevado cochicho. O nosso berro de desespero total que talvez por descarga de energia nos mantenha calmos. O certo é que o fazemos por mal, o certo é que queremos que eles ouçam para se encolherem a cada sofrear nosso.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Fim da vida morta

Há quem diga que há vida depois da morte, então quero-me expressar:

A curiosidade faz por matar,
os que de outra religião esperam encontrar
Cem virgens nas quais não podem tocar.

Há quem diga que subimos para o céu figurado,
Acima das nuvens, a saltar, a ficar cansado.

Não tenho a certeza disto, só a morte mo pode contar,
Mas nem os mortos me podem dizer,
O que eu depois desta vida venho a arcar

O que me vai aparecer?
Deus pode saber...
Não sou crente, e agora?
Vou ter de esperar, esperar e esperar.

No final de contas o que me pode acontecer?
Virar cinzas ou esqueleto...
O que interessa?
Não vou senti-lo. Nem com cianeto.
Nem com ele mo podem acordar.

Questões e repetições para eu abordar.

Tantas rimas que faço; a poesia não tem de rimar...

Fico farto desta monótona e efémera vida
Em que tudo posso esperar;
Hoje sou roubado, amanhã vou assaltar.

Não espero a morte mas há quem a espere
Para ir para um melhor sítio
Para ter sossego final...
Não é mais, não é menos que um sinal
(sem dúvida terminal)

Inspirado em "Alice"

E a água do poço da fantasia em vão escasseou
E o sonhador, com sede, secou
Na luta pela fuga, lutou e lutou
Mas nem a imaginação aí o salvou.

Ninguém quer ser o lutador que enfim caiu
Mas não pode ter vergonha porque ninguém desiludiu
Com pouca esperança de alguém o salvar
O corajoso ousou saltar.

Saltou, saltou e saltou; em vão ele saltou!
Mas nenhum sítio encontrou...
Nem a brilhante mente ajudou

Já no fim da vida tentou imaginar,
Como esta seria , depois dele a deixar
Ai teve um epifania, e sem medo de gritar,
Gritou até à morte, sem ninguém para o ajudar.

A sombra da escuridão o assombrou
Levando-o para outro Mundo
Onde aí (finalmente) repousou.

Um novo paraíso com mil virgens espera,
Este não apareceu, mas ninguém desespera.
Em vez disso uma bela história lhe é contada
E assim o velho sonhador disse à Imaculada:
- Jaz esta história, no futuro e no presente,
 Sem mim nunca demente, espero ouvi-la
 Para sempre e para sempre.

                                                                                     (Fim de vida)