Encosto o filtro do cigarro a meus lábios carnudos com feridas, de andar constantemente a esgravatar para sentir o sabor do sangue (um gosto a cobre, viciante). Pego no isqueiro azul escuro que comprei naquela antiga tasca ilegal, penso eu. Rodo a pedra para fazer faísca seguindo-se do "botão" para a abertura do gás, criando assim a chama que chego à ponta do meu estimado cigarro, com tabaco a sair por fora, começando a queimar esse resto de tabaco caído chegando segundos depois ao papel que sempre que puxo pelo branco filtro faz um som que me recorda de algo efervescente a efervescer.
Tenho tendência para fumar quando chove; arrisco-me a que caia uma gota de água vinda das nuvens cinzentas e carregadas.
Chego ao fim do cigarro já nas letras a dizer "Pall Mall" que é o mais barato tabaco aqui, na minha terra (sou um pouco forreta). Como chove deixo a cinza apagar-se no chão para ouvir o tal som.
(recomeço o processo)
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