segunda-feira, 25 de junho de 2012

O nosso silêncio

Estou em casa da Sofia. Deito-me na carpete do seu quarto apenas iluminado por um candeeiro vermelho que emite assim uma luz, que me faz recordar um daqueles laboratórios de fotografia. Estou estendido. Encosto a minha cabeça ao armário de madeira antigo que existe no canto do quarto dela (que tem como seu conteúdo roupas e um urso de peluche que pelo posicionamento das suas sobrancelhas me parece assustador) ficando assim numa sensação de paz interior. Estou habituado a viver numa vivenda onde, todos os barulhos me assustam mas ali, naquele prédio, o barulho é mais que comum. Aprecio-o de tal forma que entro em sintonia com todos os balbucios encantados que existem naquela casa. Ouço um pequeno zumbido dos carros e o seu temeroso eco; é ai que me assusto. Absorvi todos os monótonos sons para criar aquela paz de que todos precisam mas, nem todos têm...

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